ESTAÇÃO DESEQUILÍBRIO



Valci Melo 
05 e 21 fev. 2014 

Sinto o novo penetrando devagar.
A mudança lentamente se infiltrando.
Enquanto isso, agonizo sem parar.
Sinto passar. Sinto voltar.
Estou mudando.

Desistir? Acelerar? Mudar o rumo?
São tantos e tão vagos os pensamentos!
Me seguro para não sair do prumo.
E fazendo do momento um resumo:
A estação desequilíbrio é um tormento.

TEMPO DE TRANSIÇÃO



Valci Melo
02 fev. 2014

O chão, cadê? Onde está?
Falta luz, compreensão.
Os pés flutuam no ar.
É tempo de transição.

O novo incomoda, assusta.
E até desestabiliza.
Mas o que daí resulta
Novamente tranquiliza.

E já não somos os mesmos;
Algo em nós enfim mudou
Até a nova estação.

E assim crescemos “a esmo”.
A vida supera a dor
Do parto, da evolução.

SINTOMAS DO NOVO


Valci Melo
09 jan. e 20 fev. 2014



O novo é simplesmente o novo...
Por não se encontrar ainda em mim, acomodado, é novo.
Mas quando já está dentro de mim
(Quando é de novo)
Deixa de ser novo
- mesmo que me incomode feito um volvo.

O novo me amadurece, embora me angustie.
O novo me desafia, angustia, fortalece.
O novo me arrepia e às vezes me enlouquece.

Por não se encontrar ainda em mim, acomodado,
O novo me encanta ou me espanta, me angustia ou me fascina,
Me entristece ou fortalece.

Por não se encontrar ainda em mim, bem arrumado,
O novo simplesmente me enlouquece,
Enlanguesce, amadurece enquanto "espécie".

Mas quando já está dentro de mim
E mesmo assim me estremece
É porque marca de novo,
Relembrando o que foi novo,
Mas no fundo não é novo.
É um sintoma de outra "espécie".

A MUDANÇA


Valci Melo
17 jan. 2014


A mudança bate em nossa porta.
Dá sinais que deseja entrar
Para mudar, transformar, libertar.

A mudança bate em nossa porta,
Mas não basta querer para entrar
E mudar, transformar, libertar.

Seus sinais são gerais, mas difusos.
O percurso limita o olhar.
Mas no fundo há algo inconcluso
Desejoso de se efetivar.

A mudança bate em nossa porta.
E tomara que consiga entrar,
Pois se nada garante que volta;
Esta chance não pode passar!

O SONHO DA CONVERSÃO (apresentação)*

Capa do romance O sonho da conversão.


É, pois, esta a esfinge diante da qual se encontra Jó, protagonista deste livro, aos 45 anos de idade e após uma vida inteira de certezas e verdades absolutas.

“[...] Será mesmo que existe outra vida ou inventamos isso por ser muito doloroso aceitarmos que a morte é realmente o fim?

Escrito na adolescência de seu autor - embora com diversos retoques e ajustes realizados posteriormente -, O sonho da conversão narra a estória de transformação pessoal de um ambicioso fazendeiro nordestino que após um sonho começa a colocar-se questões existenciais da mais alta complexidade, sendo esta experiência suficiente para redirecionar a trajetória amarga e arrogante de um sujeito cuja vida tinha se constituído em uma ferramenta privilegiada de opressão e desprezo para com os empobrecidos.

Com uma linguagem simples e direta, O sonho da conversão aborda em seus 24 capítulos sempre iniciados por uma epígrafe, em sua maioria, de origempopular, a tentativa dos seres humanos de fazerem frente ao desafio existencial de responder porque a vida social se dá de determinada forma e não de outra, bem como, as implicações concretas de uma dada concepção de mundo nos mais variados aspectos da vida cotidiana.

Assim sendo, O sonho da conversão se lança ao desafio de provocar no/a leitor/a não somente o desejo de compreender mais e melhor o fascinante “mundo dos homens”, mas também de ser e fazer cada vez mais e melhor a História da qual se é o principal sujeito.

Boa leitura!

Valci Melo
Senador Rui Palmeira – AL, 07 fev. 2014.
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* Romance de autoria de Valci Melo publicado de forma independente no formato ebook (PDF) sob o ISBN 978-85-914890-2-2. Disponível para download gratuitamente no Portal dos escritores alagoanos: http://www.escritoresalagoanos.com.br/livro/71.