O BATISMO DAS FESTAS JUNINAS



Valci Melo
valcimelo@hotmail.com
facebook.com.br/valcimelo.al


Minha gente preste atenção

Que agora vamos falar

Sobre a festa do São João;

Um evento popular

Que deixou de ser pagão

Quando a Igreja de então

O resolveu batizar.



Na parte Norte da Terra,

Inclusive em Portugal,

Anunciava o Verão

De forma especial.

Competia com o sermão,

Mas a Igreja pôs a mão

E mudou o ritual.



Daí nasceu o enredo;

A festa em tom cristão.

No fim deixaram São Pedro.

No comando São João.

Santo Antônio, sem segredo,

É o mais tímido no folguedo,

Mas do amor é o chefão.



E a gente do Brasil

Como entrou nessa História?

Não moramos na Europa...

Nosso Verão não é agora...

Como o povo descobriu

Esse ritual sutil

Pra celebrar desde outrora?



Foi com a colonização,

Com a invasão portuguesa,

Que aqui chegou o São João,

Como se diz com franqueza.

E com a contribuição

Que recebeu do povão

Tornou-se essa beleza.



Seus símbolos, como sabemos,

Não são usados em vão,

Valem além do vemos,

Pois fazem encenação.

Deles também falaremos

E até explicaremos

A sua definição.


A quadrilha era dançada

Por duas duplas na França,

Por isso era assim chamada.

E eram os ricos na dança...

Aqui ela foi mudada,

Ganhou passos e moçada

E festeja a esperança.



O casamento caipira

Torna o real engraçado:

O noivo bêbado não gira.

A noiva grávida é pecado.

O pai bravo só delira,

O delegado é uma mentira.

E o padre é um depravado.



Já a fogueira sagrada

Relembra um caso fiel:

Dizem que marca a chegada

Do filho de Isabel,

Prima da Abençoada,

A qual ficou informada

Pela fumaça no céu.



As simpatias dão sorte,

Sobretudo, no amor.

As crenças relevam o norte.

As comidas dão sabor

E deixam o povo mais forte.

Já os balões causam morte,

Incêndio e muita dor.



Os fogos dizem que acordam

O dorminhoco João.

Dizem também que eles rogam

Em busca de proteção.

Só sei que eles me incomodam

E que meus gritos não vogam

Diante da tradição.



É este, pois, o São João:

O carnaval do Nordeste!

A festa que o povão

Comemora no agreste,

No litoral, no sertão...

Se foi do Norte, hoje, então,

Pertence ao “cabra da peste”.